Tag Archives: progressive house

Renaissance Master Series: Dave Seaman

21 Oct

After a period of closure, English label Renaissance returns to the scene with another Master Series, this time remixed by the label’s old friend Dave Seaman. The new series will host a release party in London on november 4th and plans to recreate the ambience of Renaissance’s parties at The Cross, this time at bohemian Shoreditch. Revivals, already?

The double CD follows the same success formula of previous products from the brand, delivering a first volume in a lighter vibe and the second one a bit more heavy on the beat-sphere. About the mix, the label shows variety on picking tracks and familiarity on choosing Seaman: “Dave has long been a favourite of Renaissance and his previous contributions to the series have been amongst the most popular and best, so we were very pleased that he agreed to take up the reins once more. He uses those years of experience to deliver, over two discs, a defining chapter in his illustrious career; both in track selection and execution. Introducing tracks from a variety of electronic sub-­‐genres and editing most of them specifically for the CD, Dave is able to create a spellbinding and sometimes surprising mix.”

Click on the album cover for more info:

http://renaissance.dj/

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Renaissance: o fim de uma era?

7 Feb

Desde setembro do ano passado o site da label Renaissance está “em construção”, e a última novidade no Beatport data do mês de julho. O que aconteceu com um dos maiores e respeitados selos da house music que completou 18 anos em 2010?

Primeiro flyer da RenaissanceTudo começou no final da década de 80 quando Geoff Oakes começou a observar que o público clubber das noites do The Hacienda não fazia jus ao que ele acreditava ser a nova cara da música eletrônica. Oakes resolveu, então, criar um “antídoto” contra a música e público que pareciam extraídos de um filme de  ficção científica, honrando a nova mistura de house e trance que emergia na época. Assim, em 1992, deu início a suas próprias noites sob a marca Renaissance, no club Venue 44 convidando um ainda principiante Sasha para ser seu residente. O sucesso da proposta veio quase de imediato e, no ano seguinte, a Renaissance encontrou sua própria casa: adornada com querubins dourados e velvet drapes, era o The Conservatory em Derby (UK). Já pouco tempo depois estava acontecendo a primeira tour internacional no Japão, e em questão de 2 ou 3 anos a marca era sinônimo de house music de vanguarda e vida noturna sofisticada.

Além das noites, um dos principais adendos da marca foram, obviamente, as compilações sob a forma de selo (label). Apesar da Ministry of Sound ter lançado oficialmente o primeiro album mix em 1993, a compilação que teve maior número de críticas e visibilidade, lançada no ano seguinte, foi o CD triplo Renaissance: The Mix Collection assinado pela dupla Sasha e John Digweed. A compilação ganhou o status de disco de ouro e contava com encarte formatado como uma Bíblia (com direito a capa imitando uma pintura de Michelangelo, assinando a identidade da marca). Boatos são de que Sasha e Digweed se conheceram na própria confecção deste álbum, enquanto eram ambos residentes do club, para daí mudarem a cara da house music como era conhecida até então.Renaissance: The Mix Collection vol. 1

Assim nasceu a renascença do século XX, que apresentou ao mundo – ao longo de quase 20 anos – artistas como Hernan Cattaneo, Dave Seaman, Faithless, Satoshi Tomiie, James Zabiela e tantos outros.

Desde sua origem, a label sempre foi referência em house progressivo, que teve seu auge no final dos anos 90, e em meados de 2006 foi perdendo força a cada dia. Como nos últimos anos os downloads ilegais cresceram em progressões geométricas e os “mixes” tornaram-se ferramentas de divulgação para DJs do mundo todo – sem mencionar os podcasts onde pode-se ouvir sets de graça com autorização dos artistas – os selos que apostaram nos CDs mixados sofreram uma abrupta queda nas vendas. Então, a Renaissance, que já lidava com o problema do declínio do house progressivo, teve que dar um jeito de dar a volta por cima a ser lucrativa também nas vendas de suas compilações.

Assim sendo, a marca resolveu apostar em nomes pouquíssimo comuns dentro de seu universo para comandarem as festas que continuavam, desde o início, tomando forma em superclubs de Ibiza, mansões, castelos e ambientes onde o luxo sempre foi um ingrediente indispensável. Em 2007, por exemplo, foram mais de 150 label parties incluindo as “Wild In The Country” e alguns dos headliners eram nomes relativamente diferentes dos houseiros habituais, como Ricardo Villalobos e Carl Craig.

Se o minimal e tech-house representavam um “Iluminismo” à renascença do house progressivo, o método foi juntar-se a eles. Com a decadência dos acordes progressivos, o selo lançou compilações de artistas como M.A.N.D.Y., La Roux – dona do último mix lançado em julho de 2010 – e Gui Boratto, responsável por muito barulho em torno da renovação da Renaissance. Também continuaram as tentativas de promover o house progressivo dentro do selo , mas dentre as últimas compilações, Paralell de Hernan Cattaneo não chegou a ser muito comentada e Life, de James Zabiela, teve de ser distribuída gratuitamente em algumas label parties. Tudo apontava para nomes mais atuais como Audiofly comandassem os próximos mixes, mas aí a máquina simplesmente parou.

Todos sabem o quanto a indústria fonográfica sofreu com a pirataria na internet. Mas uma label que teve tanta visibilidade e apresentou residentes de grande talento não pode colocar a culpa nos downloads ilegais por ter esgotado seus recursos. O grande boato é a falta de investidores na label, o que faz muito sentido. Mas com tantas marcas surgindo a cada dia no mercado, a credibilidade torna-se um valor imensurável, portanto a idéia de um selo tão respeitado desaparecer não faz muito sentido. Por outro lado, seria o investimento no house progressivo, apesar deste estar em declínio, o responsável pela queda da Renaissance? Ou talvez a instabilidade demonstrada ao testar diferentes mercados, mostrando a dificuldade da marca em confiar no que sempre fez?

Renaissance é a cara do progressive house, e fez história. Seu final ou recomeço podem significar muito, ainda, independente do que esteja em voga. Como espectadora desta novela, gostaria muito de me surpreender novamente com a familiaridade de seus mixes, o cuidado das artes de capa sempre impecáveis e ter a honra de conhecer novos talentos que a label sempre apresentou.

Fontes: Ibiza Voice, Ibiza Spotlight, Wikipedia, Beatport, Myspace.

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